Enquanto ela o mandava enfiar a meia no cu, ele a mandava chupar uma pica. De preferência a dele. No meio dessa cena que o acompanha desde a barriga da mãe, o pequeno garoto observava a diálogo que, mesmo grosseiro, o fazia rir as escondidas. No fundo era cômica a cena.
Na escola ele recriava as cenas do seu lar. Certa vez mandou a professora chupar um pau, pois andava muito nervosa. Seu professor de biologia foi aconselhado a comer uma deliciosa buceta, pois andava trêmulo. A menina que sentava ao seu lado era histérica e mal humorada, o que prontamente ele relacionou a falta de trepada. Ele nem reparou que ela tinha apenas 10 anos.
Ele passou a perceber que as coisas não andavam bem para ele depois desses conselhos nada convencionais, ou que não são encontrados nas “obras” de Zíbia Gaspareto. Algumas vezes ele sentiu na carne o poder contrário das suas curas emocionais direcionadas ao seu círculo de convivência. A professora, por exemplo, bateu com a régua em sua mão na frente de todos os colegas de classe. Se isso não bastasse, cochichou ao seu ouvido “Quero ver você bater uma punheta agora com as mãos inchadas, seu corno”. O professor de biologia foi mais humano. Apenas o encaminhou para a direção, mas no caminho disse que pensará na hipótese de comer a sua mãe e enrabar o viado do seu pai. Quanto à menina ao lado, ela simplesmente chorou com o conselho do pequeno messias da putaria. Dizem que o motivo do seu choro era ela ser fruto de um estupro. Nosso conselheiro precoce estava com problemas.
O herói brasileiro retirou-se. Não poderia mais aconselhar ninguém. Encontrou refúgio no seu doce lar. Com brigas matrimoniais, sussurros sexuais à noite e, é claro, choro.
(Marcio Rocha)
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