terça-feira, 14 de junho de 2011

Textão

Joinville, além de monótona e feia, sempre surpreende a gente. Não não. Não vou escrever sobre a greve dos funcionários públicos. Pois é de se surpreender uma greve aqui no feudo do norte catarinense possa durar tantos dias. Me refiro a esse belo texto de um grande amigo. Ele se chama Jorge Silva. É uma das pessoas mais de "boa" que eu conheço. Não é atoa que o nome do seu blog seja "A alma encantadora". Bem, esqueçam essa minha apresentação. Leiam o texto que é bem melhor.
(Marcio Rocha)

==============================================================


Carta aos Deputados e Senadores - 07/06/11

Prezados senhores,

Venho através desta, respeitosamente pedir para que examinem cuidadosamente todas as questões importantes para a nossa Nação, e que as executem com a retidão de caráter que deve ter todo grande político desta potência mundial chamada Brasil. Peço também que fiquem atentos às mudanças planetárias que estão acontecendo, pois vossas decisões irão contribuir de forma significativa para os rumos destas mudanças.

Escrevam vossos nomes na Rocha Eterna da Verdade e não na areia da praia onde as ondas apagam. Perpetuem vossos nomes na História Política deste país de forma a engrandecer a Civilização Planetária, e que vossas famílias e todos os cidadãos brasileiros os abençoem e orgulhem-se de pronunciar vossos nomes.

Foram todos escolhidos pelo povo brasileiro através de eleições democráticas (pelo menos assim queremos crer - mesmo que alguns fatos e eventos mostrem o esforço através das mídias para convencer-nos de que merecem estar onde estão e que realmente se interessam pelo bem estar do povo brasileiro)

Confiamos também que diariamente honrem os fartos salários, benefícios e honrarias que recebem e os cargos que ocupam, da mesma forma que o fizeram os grandes líderes da história da humanidade que servem de modelos de conduta para muitos estadistas contemporâneos em atividade, e que ajam com ética e compaixão, retidão de caráter, senso de justiça e amor ao próximo.

Creio plenamente no vosso altruísmo, nobreza e talentos para se unirem em torno do que é melhor para o conjunto da Nação, acima dos interesses pessoais e das siglas partidárias.

Sei também que há círculos de poder internos, econômicos e globais, de interesses contrários ao bem estar do nosso maravilhoso Brasil, mas estou certo de que unidos e munidos de Sabedoria, Justiça, Ética, Compaixão, Força, Coragem e prática da Verdade, poderão neutralizar os danos causados por aqueles de atuação perversa, que visam apenas o enriquecimento ilícito e poder para si mesmos, tentando preencher seus vazios existenciais, causando assim danos e sofrimentos à milhões de seres vivos.

Repito, sabeis que vossas decisões refletem e ainda irão refletir nas vidas de milhões de seres humanos – além mar inclusive - que confiaram e confiam em que tomarão decisões acertadas para a Nação, acima dos vossos interesses pessoais.

Mas a Lei Divina de Causa e Efeito é para todos, e colhemos aquilo que plantamos, cedo ou tarde. Portanto, que os incautos e tolos se enredem na própria armadilha da cobiça e cegueira em que vivem.

As Nações já não suportam mais tanto desrespeito e sofrimento devido à miséria e à violência praticada contra elas, por seres egoístas comandando Instituições que deveriam ampará-las, servi-las e protegê-las.

As Mobilizações Sociais através das Redes Digitais e Meios de comunicação estão se expandindo, e a Verdade está sendo veiculada em toda parte pelo Planeta. A Justiça está sendo clamada por todos os setores da sociedade organizada. Não há mais tanta distância entre os governantes e a população. Uma Revolução Planetária Pacífica e Silenciosa está acontecendo às claras e outra bem mais ruidosa está por vir, que será a queda inevitável de todos aqueles maus servidores da Nação Planetária.

Que Deus abençoe e ilumine a todos para que honrem e cumpram com suas obrigações de mandatos e as tornem fatos concretos para o benefício de nossa Nação, incluindo todos vós. Estaremos atentos às vossas atuações, e do vosso lado se agirem com nobreza.

Apenas para relembrar, compartilho aqui o trecho de fechamento no discurso de posse de nosso Presidente anterior. Acredito que mesmo cometendo erros, e considerando as ações contrárias dos tais “círculos ocultos de poder”, tenha feito o melhor que pôde para o nosso amado Brasil:

...Agradeço a Deus por chegar até onde cheguei. Sou agora o servidor público número um do meu País.
Peço a Deus sabedoria para governar, discernimento para julgar, serenidade para administrar, coragem para decidir e um coração do tamanho do Brasil para me sentir unido a cada cidadão e cidadã deste País no dia a dia dos próximos 4 anos. Viva o povo brasileiro!"

Brasília, 01 de Janeiro de 2003
Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente eleito da República Federativa do Brasil
…......................................................................................
Atenciosamente,
Jorge Silva

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Aqui dentro

                Bem de ladinho era a sua maneira predileta de dormir. Assim, dizia, o ronco era imperceptível.
                Ele, por outro lado mesmo, adorava essa maneira. Assim conseguia ver as curvas do seu corpo. Esse corpo que ainda o fazia tremer.
                Uns falavam: fulana engordou né?!
                Ele respondia: não sei. Pra mim ele está do mesmo jeitinho.
                Mas quando a noite chegava essas inconveniências deixavam de existir.
                Ele fazia o café. Ela passava margarina nas torradas.
                Sentavam-se no sofá e fingiam assistir TV.
                Depois cama.
                Amanhã tem mais.
                Os moderninhos detestam rotina.
                Mas nós somos apenas nós.


(Marcio Rocha)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Muito barulho

Tiros, sangue e mortes. A imprensa toda lá. Falaram de um fanático mulçumano. Falaram de narcotráfico. Falaram de tudo. Menos a verdade.

Marcio Rocha

Ele foi embora

Quanto tempo, hein?! Muitas coisas aconteceram. Bem, na verdade nem tantas assim. Fiquei na maioria do tempo de bobeira. É sempre bom respirar um pouco mais. Mas o ano começou, pois o carnaval acabou (essa rima foi sem querer). No Brasil ainda é assim. Uns chegam sem convidar (Obama) e outros vão sem a nossa permissão (José Alencar).
Mas falando sobre políticos, Marcio? Sim! Qual o problema. Se falássemos mais sobre política não teríamos tantos imbecis decidindo sobre o nosso futuro (Não é mesmo, Srº Bolsonaro?).
Confesso que fiquei triste com a morte dele. Por mais rico que seja – e com condições de ser tratado em hospitais de alto nível – Alencar soube cativar o Brasil (a Veja não). Talvez seja o seu jeitinho mineiro. Talvez seu sorriso. Não sei. Mas ele era uma figura ímpar no meio dessa corja toda.
Nosso país não tem históricos de vice-presidentes como ele. Quando criança, ficava indagando sobre a orelha de José Sarney. Sempre me perguntava “ele tem orelha, pai?”. Depois ele assumiu o poder. Ficamos um bom tempo sem poder comprar leite. Tempos difíceis. Ai veio Collor e com ele Itamar Franco e seu majestoso topete. A história é recente, como todos sabem. Mas duas coisas ficaram pra história: o retorno – mesmo que por pouco tempo – do fusca, e uma mulher sem calcinha ao seu lado. Bem, deixa isso pra lá.
Com a era FHC, surgiu Marco Maciel. Nos divertíamos muito tentando desenhá-lo de perfil. Bastava desenhar um círculo pequeno com uma reta logo abaixo. Era ele de perfil. Marco Maciel era como o príncipe Charles. Ninguém sabia como era sequer a voz dele. Mas há quem o defenda até hoje.
Mas José Alencar foi diferente. Tá certo! Ele era muito rico e envolvido com política. Para muitos jovens basta isso para ignorá-lo. Eu já fiz isso muitas vezes. Se o cara é político já basta para arremessá-lo na lata de lixo. Mas Alencar era simpático. Não é mesmo, Guilherme Duarte.
Quando eu soube da morte dele a primeira coisa que passou pela minha cabeça foi descanso (descanso dele é claro).  Depois veio uma tristeza. Tristeza, pois além do político, quem morria ali era um pai, um avô. Eu ainda tenho pai. Mas meus avôs se foram.
Mesmo sem ter muito que escrever, só queria deixar um agradecimento a José Alencar: obrigado por trazer a sua amável simpatia para a política.
Marcio Rocha

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Para pensar

Grande texto de Lígia Martins de Almeida, publicado no Observatório da Imprensa (25/01/2011). Essa histórinha de igreja querendo dar pitacos no Estado é histórico. Mas o povo, esse mesmo povo que morde e assopra, tem que entender que são coisas diferentes (Estado e igreja). Não há como o Estado se desenvolver tendo que a toda hora dar explicações para a igreja. Ou você acha que o Vaticano está se importando com as vítimas de catástrofes naturais? Deixo meus comentários para depois. Vamos ao texto de Lígia.

========================================================================


Igreja pede explicações ao Estado
Por Ligia Martins de Almeida em 25/1/2011
Como se não bastassem as mortes na região serrana do Rio de Janeiro e as brigas entre seus principais aliados – PMDB e PT –, a presidente Dilma Rousseff agora vai ter que lidar com os questionamentos da igreja católica. Empossado como prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, o arcebispo de Brasília, Dom João Braz de Avis, cobrou uma definição da presidente em entrevista publicada na Folha de S.Paulo (19/1/2011):
"Não temos uma ideia clara de quem é Dilma do ponto de vista religioso. Ela precisa explicar melhor as suas convicções religiosas para que o diálogo possa progredir. O que sabemos é que Dilma mostrou flexibilidade com relação a temas importantes para a igreja. Mas também sabemos que políticos fazem isso: durante a campanha, é uma coisa e, na prática, o caminho às vezes é outro. Eu espero que as posições dela se aproximem das posições da igreja. Para isso, precisamos conhecer melhor o que pensa a Dilma presidente em relação a certos temas. Não só o aborto, que teve destaque na disputa eleitoral, mas também quanto ao PNDH-3 [Plano Nacional de Direitos Humanos], que traz posições contundentíssimas para a igreja. Há aspectos muito bonitos com relação à questão social, mas temos aborto, homossexualismo, um monte de coisa que precisamos ver como vai ficar."Enquanto o religioso espera para ver como as coisas vão ficar, os jornais poderiam esclarecer que questões como legalização do aborto, união de homossexuais e outros temas tão caros à igreja independem da exclusiva vontade da Presidência da República. Qualquer modificação na lei referente ao aborto ou à união legal de homossexuais, por exemplo, passa por aprovação do Congresso Nacional.
Deveriaa imprensa esclarecer também que as atitudes da presidente – ou de qualquer presidente deste país – dizem respeito apenas ao Estado, assim como as decisões da igreja (católica ou qualquer outra) dizem respeito apenas aos seus seguidores. Como disse o próprio cardeal em sua entrevista, "a separação entre igreja e Estado foi uma conquista e representa uma grande vantagem democrática em relação ao passado, quando havia a imposição da religião sobre o Estado".
O papel de cada umA entrevista de Dom João de Braz Aviz acabou repercutindo no jornal concorrente. Em artigo publicado domingo (23/1) no Estado de S. Paulo, Débora Diniz discute o tema sob o título "Quem tem medo da laicidade?":
"De minha parte, não preciso conhecer a fé religiosa de nossa presidente para acreditar na democracia. Ainda diferente de d. João, estou certa de que, se o ex-presidente Lula se apresentou como homem de Estado, a atual presidente poderá ir além: melhor será se somente conhecermos a mulher de Estado. Se a ela for conveniente expor suas crenças privadas em matéria religiosa, que esse seja um fato indiferente à vida democrática. Mas, honestamente, preferiria que Dilma fosse não apenas a primeira mulher presidente, mas principalmente, aquela que atualizasse o dispositivo da laicidade do Estado brasileiro... Não há incompatibilidade moral entre a mulher de fé e a mulher de Estado. Só elegemos a mulher de Estado."Enquanto a presidente da República procura organizar seu governo e enfrentar as catástrofes (naturais e políticas), melhor seria se o cardeal católico e todos os outros líderes religiosos do país se unissem em oração ou trabalhassem efetivamente para ajudar as vítimas das enchentes por esse Brasil afora. Cabe à imprensa esclarecer aos leitores que cada um tem seu papel na democracia, noticiando, comentando e, sempre que necessário, destacando que Estado e igreja são coisas diferentes.
Se cada um – Estado, igreja e imprensa – fizer a sua parte, a democracia só tem a ganhar.

fonte:  http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=626JDB001

Recolhendo

No elevador a música – como sempre – era melancólica. Mas pelo menos estava gelado. Lá fora todos suados e fedendo. O maldito verão mostrava seu cartão de visitas. Nem trepar conseguia. Sua asma não deixava. Como o nariz dela ficava ressecado com o ar-condicionado, preferiu o ventilador. Mas o ventilador lembrava aqueles filmes americanos ambientados na África: muito lento.
                Cerveja não adiantava mais. Seus cubas, sempre com muito gelo, deixavam ele ainda mais angustiado. Nada era capaz de matar a sua sede. Até mesmo a água, parecia quente. Sugeriu a ida a algum rio, pois praia não era compatível com seus ganhos. Ela, com cara de bunda, disse apenas um “não tô afim”.
                Foi vivendo assim, suado, fedido e sem companhia. Até que a loira gostosa que trabalha na padaria em frente ao escritório se ofereceu para um passeio. Logo ela, tão homenageada em longas punhetas dando bola pra ele? Claro que ele aceitou.
                A loira disse que estava afim de curtir uma praia regada a cerveja e algo mais. Mas ele logo pensou no baixo salário e também na cerveja, que o faz suar ainda mais.
                Disse não. Era melhor assim. Viver com a mulher com a mesma cara de bunda de sempre, longe da cerveja e na companhia de demoradas punhetas.

(Marcio Rocha)