Não é do tipo que corria. Mas andava apressado nos últimos dias. Pretendia comprar roupas e sapatos novos. A cerimônia seria na sexta-feira e hoje é quarta. “Como pude esquecer?”, pensou. Teve todo o tempo do mundo para aprontar tudo. Mas o raio de deixar para a última hora era uma mania.
Sua mulher até tentou ajudar. Disse que o ajudaria a ir de loja em loja escolher o melhor traje. Não queria o marido com as famosas camisas bege.
- A última vez que usei uma porra de terno foi no nosso casamento. Agora só pretendo usar no meu velório.
- Deixa disso, seu relaxado. Vais ficar uma jóia!
Andaram em todas as lojas. Pra variar era ela que escolhia os modelos.
- Minha opinião não conta?
- Eu entro com o bom gosto e você com a carteira.
Saíram da loja e foram tomar um chope. Comeram uma besteirinha e foram pra casa. Na manhã de quinta seu chefe chega de mansinho na sua linha de produção.
- Pois é meu caro. Amanhã é o grande dia!
- É.
- Infelizmente aconteceu um pequeno engano.
- O que foi?
- Na realidade você não será indicado ao prêmio de funcionário do ano.
- Como assim?
- Tem outro funcionário com o mesmo nome que o seu. Na realidade, ele tem um “da” entre o nome e o sobrenome. E você não.
- Hum...
- A culpa é daquela vagabunda do recursos humanos. Vive fazendo merda. Só não vai pra rua porque dá a buceta pro filho do diretor executivo.
- Sei, sei...
- Mas não liga não! Ainda vais ter a sua chance.
Sem saber o que dizer em casa ele foi embora a pé. Chegando em casa explicou a situação. Sua mulher não pareceu desapontada. Pediu para ele vestir uma camiseta bege e foram ao bar da esquina. Todas as quintas eles servem uma dobradinha danada de boa.
(Marcio Rocha)