quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Noite longa

O relógio informava 12h30. O puto ainda não chegou.
Não queria levantar-se mais uma vez para tomar água. Sua bexiga enchia muito rápido. Na última vez que o desgraçado chegou tarde ela tomou tanta água que mijou o colchão inteiro. Achou melhor ligar a televisão e curtir a merda toda.
Não durou muito tempo. Teve que desligar. Levantou e foi até o aparelho de som. Colocou seu velho disco da Ângela Rô Rô e voltou para a cama. Mas não adiantava. Queria mesmo o puto em casa. Nem que fosse com hálito de cerveja. Mas queria seu homem ali.
Passou a lembrar de como era antes do casamento. Ele era gentil. Ela até reclamava um pouco. Achava que ele deveria ser mais independente. Não curtia muito aquela submissão. Achava que ele deveria ser mais “homem”.
Depois de casados a insistência dela era tanta que ele resolveu acatar as sugestões da mulher. Começou com uma sinuquinha com os amigos nas manhãs de sábado. O problema é que a manhã dura até meio dia. Para ele era até às 19 horas.
Depois vieram as confrarias de casados. E depois as “saideiras” nas zonas. Depois as brigas. Depois as acusações. Depois a falta de amor. Algumas vezes houve tapas e visitas noturnas da casa da sua mãe.
Agora ela estava sozinha na cama esperando o seu antigo parceiro. Com muitas saudades.
(Marcio Rocha)

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