terça-feira, 7 de dezembro de 2010

É assim mesmo

Não é do tipo que corria. Mas andava apressado nos últimos dias. Pretendia comprar roupas e sapatos novos. A cerimônia seria na sexta-feira e hoje é quarta. “Como pude esquecer?”, pensou. Teve todo o tempo do mundo para aprontar tudo. Mas o raio de deixar para a última hora era uma mania.
                Sua mulher até tentou ajudar. Disse que o ajudaria a ir de loja em loja escolher o melhor traje. Não queria o marido com as famosas camisas bege.
- A última vez que usei uma porra de terno foi no nosso casamento. Agora só pretendo usar no meu velório.
- Deixa disso, seu relaxado. Vais ficar uma jóia!
                Andaram em todas as lojas. Pra variar era ela que escolhia os modelos.
- Minha opinião não conta?
- Eu entro com o bom gosto e você com a carteira.
                Saíram da loja e foram tomar um chope. Comeram uma besteirinha e foram pra casa. Na manhã de quinta seu chefe chega de mansinho na sua linha de produção.
- Pois é meu caro. Amanhã é o grande dia!
- É.
- Infelizmente aconteceu um pequeno engano.
- O que foi?
- Na realidade você não será indicado ao prêmio de funcionário do ano.
- Como assim?
- Tem outro funcionário com o mesmo nome que o seu. Na realidade, ele tem um “da” entre o nome e o sobrenome. E você não.
- Hum...
- A culpa é daquela vagabunda do recursos humanos. Vive fazendo merda. Só não vai pra rua porque dá a buceta pro filho do diretor executivo.
- Sei, sei...
- Mas não liga não! Ainda vais ter a sua chance.
                Sem saber o que dizer em casa ele foi embora a pé. Chegando em casa explicou a situação. Sua mulher não pareceu desapontada. Pediu para ele vestir uma camiseta bege e foram ao bar da esquina. Todas as quintas eles servem uma dobradinha danada de boa.
 
(Marcio Rocha)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Premiação para Stella Bousfield, ou simplesmente, minha Tutuca

Ter Stella Bousfield como minha noiva já é o máximo. Companheira de todas as horas. Sempre por perto. Mas ser noivo dela e ainda estar ao seu lado na hora que ela ficou em 2º lugar no concurso Expressão Literária 2010 foi demais. Admito que me comportei direitinho. Afinal de contas, tinha muita gente fresca no ambiente. rsrsrs... Logo eu, sempre tão maluco. rsrrssrs...
Pois bem, vou publicar agora o poema da minha noivinha Stella Bousfield. Premiado na noite de ontem (02/12), no anfiteatro da Univille.

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Teias
(Stella Bousfield)



Teço migalhas e traço horizontes.
Com medo de algo que nem conheço.
Do nada que me apavora.

Tramas tramam contra mim.
Lamas pálidas envolvem-me esnobes.
Arrancando apatia.

Na praia, Afrodite tece fios de luz.
Á espera de Zeus na aurora boreal.
Endeusando o tempo que jamais virá.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A surpresa

               
                O caixão foi baixando lentamente. Choros com soluços quebravam o silêncio. O coveiro era um velho simpático. Muitos enterros em suas mãos. O padre fez a última benção. Naquela noite ainda celebraria um casamento. Crianças corriam pelo gramado. Não sabiam ao certo a dor que aquela cena causava em algumas pessoas presentes.
                Sentada ela observava o caixão descendo. Trinta e quatro anos conviveu com ele. Se conheceram numa festa de fim de ano da empresa. Ele estava bêbado e ela vestia uma calça amarela. Ele esbarrou nela. Pediu desculpas. Ela o achou engraçado, pois na empresa parecia ser bem quieto. Depois trocaram telefones. Depois ficaram trinta e quatro anos casados.
                Nunca imaginou que presenciaria aquela cena. Não é fácil enterrar um companheiro. Passaram tempo suficiente para saber que se amavam. Houve momentos de brigas. Mas a cama sempre resolvia isso. Não que sexo fosse algo muito importante pra eles. Mas que resolvia, resolvia.
                Um dia ele se queixou de dor no peito. Mas nunca mais tocou no assunto. Dois anos depois dessa queixa veio o resultado da dor. Um problema no coração.
                Um dia acordou mais cedo que ela. Colocou a água no fogo e foi cagar. Ela achou estranho o apito da chaleira não parar. Levantou e viu que ele não estava na cozinha. O procurou lá fora. Ele sempre ia fumar enquanto a água esquentava. Não o achou. Viu que a porta do banheiro estava aberta. Entrou de mansinho e viu ele sentado do vaso sanitário. Ele estava imóvel. Sua cabeça estava encostada no box. O box era ao lado do vaso. Ele estava pálido e frio. Morto.
                Ela ficou parada, olhando pra ele. Como isso podia estar acontecendo? Depois ficou pensando que ele nunca cagava antes de tomar café.

(Marcio Rocha)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Nunca é demais apresentar pessoas talentosas

Esse é um poema que minha amada noiva, Stella Bousfield, fez em minha homenagem. hehehehehe...
Isso é pra quem pode né?! Pois bem, esse poema foi publicado no blog http://www.eueminhasletras.blogspot.com/
da minha adorável Stella. Quem quiser dê uma passadinha lá e confira outras belezas que ela postou.
Abraços!
(Marcio Rocha)


Omaetue

Com você perco o prumo. Me arrisco no escuro e fico sem ar. Sem você é o avesso. Todo minuto é recomeço, desapego do medo e excesso de olhar. Te amar é coragem de dizer e de calar. Num infinito de pensar, entender que o existir é cada vez mais.
(Stella Bousfield)

Acordada

De tanto caminhar ela sentou em um banco da praça. Pessoas caminhavam desesperadamente, pois o vento denunciava que a chuva estava a caminho. Não queria ir pra casa logo, pois sabia que ele iria aparecer por lá. Achou melhor ficar por ali mesmo.
Mais uma vez chegou ao fim seu sonho. Mesmo que amigos a alertassem sobre um relacionamento fadado ao fracasso, ela prosseguiu. Não queria viver em dúvida. Queria ver com os próprios olhos.
Agora estava ali. Sentada e solitária. Provavelmente o que mais a incomodava era o medo de fraquejar na frente dele. Sua voz ainda exercia força nela. Começa com uma fala mansa e olhos baixos. Depois vêm os beijos. Só de pensar nisso seu corpo ficou arrepiado. As conversas depois das brigas sempre acabavam em uma deliciosa trepada.
Balançou a cabeça e procurou esquecer esse assunto. Abriu a bolsa e pegou o cigarro.
Fumou tranquilamente, mas ainda pensando nele. Pensou nas noites de conversas na cozinha bebendo cerveja. Pensou nas manhãs em que brigava com ele por demorar tanto no banheiro. Pensou na maneira como ele contava seus planos para o futuro. Um futuro que ele não contribuía em nada para realizar.
Por fim pensou nas trepadas. Levantou apressada e correu para casa. Ele ainda podia estar esperando por ela.

(Marcio Rocha)

Muito prazer

Não é da minha natureza dar explicações. Tenho por criação tomar decisões e ponto final.
Tempos atrás eu escrevia no ogrojoinvilense. Me cansei. Assim como a gente se cansa de determinada marca de café ou cigarros. É certo que agora criei esse blog. Até escrevo no twitter. Mas blog é blog. Embora os pessimistas digam que a onda blog já esteja acabando, sigo com a convicção de um anormal que ainda não chegou a hora.  Ainda tenho muito o que escrever e vocês serão as minhas cobaias.
No blog Cuspindo nas Letras você terá experiências que lhe vão causar ânsias de vômitos e, quem sabe, uma nova maneira de encarar textos que nem sempre são bem-vindos nas aulas de literatura.
Não sigo tendências nem teorias. Talvez eu tenha a pretensão de ser uma mistura de Bukowski com Paulo Leminski. Mas confesso que amo Sam Shepard.
Na pior das hipóteses quero ser apenas eu. Dependendo do que estiver escrevendo posso ser ela.
Boa leitura! Boa sorte!
(Marcio Rocha)

É só isso?

Bendito seja eu reunido no amor em mim.

Sempre o mesmo

“Responder o quê se eu nem sei qual é a pergunta?”. Frase boa desse Renato Russo.
                Ainda hoje me perguntam uma porrada de coisa. Mas o que irrita mesmo é que o “perguntador” já sabe a resposta. Faz isso justamente para se sentir bem. Tipo “sabia que eu não estava sozinho”.
                Meu amigo, se você se acha sozinho, vá procurar alguém. Às vezes uma punheta resolve. Alguns vão à igreja. Outros bebem, alguns fodem e outros punhetam-se. Soa agressivo, eu sei. Mas foda-se do mesmo jeito.
                Estou cansado de ser encarado como um urbano guru. Se soubesse as respostas não andaria em círculo. Acho que a bem da verdade eu nem me levantaria. Continuaria curtindo a dor de cabeça da maldita cachaça com coca. Ou tentaria levantar meu pau mais uma vez para comer a puta que ronca ao meu lado.
                Quase cheguei à conclusão que meu pau é o meu melhor amigo. Ele pode dizer  – se falasse – que nunca me abandona. Já negou grandes batalhas, mas nunca me abandonou. Ele até que contribuiu com algumas honrarias. Evitou algumas depressões femininas. É um humanista nato!
                Mas não só de pau vive o homem. As bucetas merecem um parágrafo. Afinal de contas, sem elas os paus só serviriam para mijar, já que a punheta só existe por causa das bucetas. Ou alguém bate uma pensando em um DVD do Lemon Heads? Claro que não!
                Mas há aqueles que dizem ser totalmente livres de pensamentos pecaminosos a respeito do sexo. Não entendo. Taí um tipo de pergunta que faria caso encontrasse um sujeito assim. Como viver sem sexo? Como viver sem foder? Não pode ser. Sexo é da nossa natureza. Trepar é ação comum desde que o mundo é mundo. Portanto não sei ainda o motivo que leva um sujeito a se dizer abstêmio das fodas. Só pode ser boiolagem subcutânea. 
                Mas foda-se! Não quero escrever sobre isso. Aliás, nem sei bem sobre o que eu estava escrevendo mesmo. Talvez seja a hora de bater uma punheta. Ainda não sei ainda por que não fui.
                Caralho! Lembrei do que eu estava escrevendo! Era sobre perguntas. Fodam-se as perguntas.

Prodígio

Enquanto ela o mandava enfiar a meia no cu, ele a mandava chupar uma pica. De preferência a dele. No meio dessa cena que o acompanha desde a barriga da mãe, o pequeno garoto observava a diálogo que, mesmo grosseiro, o fazia rir as escondidas. No fundo era cômica a cena.
Na escola ele recriava as cenas do seu lar. Certa vez mandou a professora chupar um pau, pois andava muito nervosa. Seu professor de biologia foi aconselhado a comer uma deliciosa buceta, pois andava trêmulo. A menina que sentava ao seu lado era histérica e mal humorada, o que prontamente ele relacionou a falta de trepada.  Ele nem reparou que ela tinha apenas 10 anos.
Ele passou a perceber que as coisas não andavam bem para ele depois desses conselhos nada convencionais, ou que não são encontrados nas “obras” de Zíbia Gaspareto. Algumas vezes ele sentiu na carne o poder contrário das suas curas emocionais direcionadas ao seu círculo de convivência. A professora, por exemplo, bateu com a régua em sua mão na frente de todos os colegas de classe. Se isso não bastasse, cochichou ao seu ouvido “Quero ver você bater uma punheta agora com as mãos inchadas, seu corno”.  O professor de biologia foi mais humano. Apenas o encaminhou para a direção, mas no caminho disse que pensará na hipótese de comer a sua mãe e enrabar o viado do seu pai.  Quanto à menina ao lado, ela simplesmente chorou com o conselho do pequeno messias da putaria. Dizem que o motivo do seu choro era ela ser fruto de um estupro.  Nosso conselheiro precoce estava com problemas.
O herói brasileiro retirou-se. Não poderia mais aconselhar ninguém. Encontrou refúgio no seu doce lar. Com brigas matrimoniais, sussurros sexuais à noite e, é claro, choro.

(Marcio Rocha)

Vida

Os bagos alimentam o pau que preenche a buceta que é porta de saída de um novo ser.

(Marcio Rocha)


Noite longa

O relógio informava 12h30. O puto ainda não chegou.
Não queria levantar-se mais uma vez para tomar água. Sua bexiga enchia muito rápido. Na última vez que o desgraçado chegou tarde ela tomou tanta água que mijou o colchão inteiro. Achou melhor ligar a televisão e curtir a merda toda.
Não durou muito tempo. Teve que desligar. Levantou e foi até o aparelho de som. Colocou seu velho disco da Ângela Rô Rô e voltou para a cama. Mas não adiantava. Queria mesmo o puto em casa. Nem que fosse com hálito de cerveja. Mas queria seu homem ali.
Passou a lembrar de como era antes do casamento. Ele era gentil. Ela até reclamava um pouco. Achava que ele deveria ser mais independente. Não curtia muito aquela submissão. Achava que ele deveria ser mais “homem”.
Depois de casados a insistência dela era tanta que ele resolveu acatar as sugestões da mulher. Começou com uma sinuquinha com os amigos nas manhãs de sábado. O problema é que a manhã dura até meio dia. Para ele era até às 19 horas.
Depois vieram as confrarias de casados. E depois as “saideiras” nas zonas. Depois as brigas. Depois as acusações. Depois a falta de amor. Algumas vezes houve tapas e visitas noturnas da casa da sua mãe.
Agora ela estava sozinha na cama esperando o seu antigo parceiro. Com muitas saudades.
(Marcio Rocha)