De tanto caminhar ela sentou em um banco da praça. Pessoas caminhavam desesperadamente, pois o vento denunciava que a chuva estava a caminho. Não queria ir pra casa logo, pois sabia que ele iria aparecer por lá. Achou melhor ficar por ali mesmo.
Mais uma vez chegou ao fim seu sonho. Mesmo que amigos a alertassem sobre um relacionamento fadado ao fracasso, ela prosseguiu. Não queria viver em dúvida. Queria ver com os próprios olhos.
Agora estava ali. Sentada e solitária. Provavelmente o que mais a incomodava era o medo de fraquejar na frente dele. Sua voz ainda exercia força nela. Começa com uma fala mansa e olhos baixos. Depois vêm os beijos. Só de pensar nisso seu corpo ficou arrepiado. As conversas depois das brigas sempre acabavam em uma deliciosa trepada.
Balançou a cabeça e procurou esquecer esse assunto. Abriu a bolsa e pegou o cigarro.
Fumou tranquilamente, mas ainda pensando nele. Pensou nas noites de conversas na cozinha bebendo cerveja. Pensou nas manhãs em que brigava com ele por demorar tanto no banheiro. Pensou na maneira como ele contava seus planos para o futuro. Um futuro que ele não contribuía em nada para realizar.
Por fim pensou nas trepadas. Levantou apressada e correu para casa. Ele ainda podia estar esperando por ela.
(Marcio Rocha)
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