quinta-feira, 14 de abril de 2011

Muito barulho

Tiros, sangue e mortes. A imprensa toda lá. Falaram de um fanático mulçumano. Falaram de narcotráfico. Falaram de tudo. Menos a verdade.

Marcio Rocha

Ele foi embora

Quanto tempo, hein?! Muitas coisas aconteceram. Bem, na verdade nem tantas assim. Fiquei na maioria do tempo de bobeira. É sempre bom respirar um pouco mais. Mas o ano começou, pois o carnaval acabou (essa rima foi sem querer). No Brasil ainda é assim. Uns chegam sem convidar (Obama) e outros vão sem a nossa permissão (José Alencar).
Mas falando sobre políticos, Marcio? Sim! Qual o problema. Se falássemos mais sobre política não teríamos tantos imbecis decidindo sobre o nosso futuro (Não é mesmo, Srº Bolsonaro?).
Confesso que fiquei triste com a morte dele. Por mais rico que seja – e com condições de ser tratado em hospitais de alto nível – Alencar soube cativar o Brasil (a Veja não). Talvez seja o seu jeitinho mineiro. Talvez seu sorriso. Não sei. Mas ele era uma figura ímpar no meio dessa corja toda.
Nosso país não tem históricos de vice-presidentes como ele. Quando criança, ficava indagando sobre a orelha de José Sarney. Sempre me perguntava “ele tem orelha, pai?”. Depois ele assumiu o poder. Ficamos um bom tempo sem poder comprar leite. Tempos difíceis. Ai veio Collor e com ele Itamar Franco e seu majestoso topete. A história é recente, como todos sabem. Mas duas coisas ficaram pra história: o retorno – mesmo que por pouco tempo – do fusca, e uma mulher sem calcinha ao seu lado. Bem, deixa isso pra lá.
Com a era FHC, surgiu Marco Maciel. Nos divertíamos muito tentando desenhá-lo de perfil. Bastava desenhar um círculo pequeno com uma reta logo abaixo. Era ele de perfil. Marco Maciel era como o príncipe Charles. Ninguém sabia como era sequer a voz dele. Mas há quem o defenda até hoje.
Mas José Alencar foi diferente. Tá certo! Ele era muito rico e envolvido com política. Para muitos jovens basta isso para ignorá-lo. Eu já fiz isso muitas vezes. Se o cara é político já basta para arremessá-lo na lata de lixo. Mas Alencar era simpático. Não é mesmo, Guilherme Duarte.
Quando eu soube da morte dele a primeira coisa que passou pela minha cabeça foi descanso (descanso dele é claro).  Depois veio uma tristeza. Tristeza, pois além do político, quem morria ali era um pai, um avô. Eu ainda tenho pai. Mas meus avôs se foram.
Mesmo sem ter muito que escrever, só queria deixar um agradecimento a José Alencar: obrigado por trazer a sua amável simpatia para a política.
Marcio Rocha